
Genial/Quaest: Maioria culpa Flávio Bolsonaro por tarifaço dos EUA
Novo recorte de pesquisa Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira (16) mostra que a maioria dos brasileiros culpa mais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do que o presidente Lula (PT) pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Questionados sobre o motivo do anúncio, 51% dos entrevistados responderam concordar mais com Lula de que Flávio apoiou o tarifaço do país estrangeiro para prejudicar o governo federal. Outros 30% disseram acreditar mais na versão do senador, o qual nega e afirma que pediu para Trump não taxar o Brasil. Foram entrevistados 2.004 eleitores de 16 anos ou mais por meio de entrevistas domiciliares face a face feitas de 10 a 13 de julho. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-07181/2026. A pesquisa foi realizada antes de o governo de Donald Trump acolher recomendação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) e confirmar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, decisão divulgada nesta quarta-feira (15). Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados responderam ter conhecimento sobre a notícia das novas tarifas do governo americano, naquele momento ainda na fase de análise, ante 38% que disseram não ter ficado sabendo. Quase metade dos brasileiros (49%) disse concordar mais com Lula no sentido de que as sobretaxas são uma retaliação dos Estados Unidos ao Pix. Por outro lado, cerca de um terço (33%) expressou alinhamento a Flávio, para quem essas tarifas foram uma resposta a declarações do petista contra os americanos. No início deste mês, o pré-candidato do PL afirmou, em audiência nos Estados Unidos promovida pelo USTR, que a adoção de uma tarifa beneficiaria Lula e que agora seria “o pior momento” para implantá-la. Também afirmou que um novo tarifaço poderia aproximar o Brasil da China e defendeu o Pix. Mesmo assim, para 42%, esse nova proposta de sobretaxa de Trump faz ter mais vontade de votar em Lula. Responderam o mesmo em relação ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) 27%. Outros pré-candidatos apareceram na resposta de 23%. Indagados sobre se acreditavam que essas tarifas poderiam prejudicar sua vida ou a de sua família, 63% responderam afirmativamente, enquanto 31% afirmaram que não. Como mostrou a Folha, o PT espera intensificar os ataques ao adversário após a decisão do novo tarifaço. O plano é investir na pecha de traidor da pátria e martelar o termo que cunhou para associá-lo à medida: “Tariflávio”. Fonte: Política Livre.

Lídice descarta suplência de Wagner
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) confirmou, ontem (14), que disputará a reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026. Com a decisão, a parlamentar deixa de ser cotada para ocupar a suplência do senador Jaques Wagner (PT), posto para o qual vinha sendo apontada nos bastidores políticos. A parlamentar afirmou, em entrevista ao Bahia.ba, que a decisão está alinhada à estratégia nacional do PSB, que prioriza a reeleição da atual bancada federal e a ampliação da representação da legenda na Câmara. “A prioridade do PSB, explanada pelo nosso presidente nacional, João Campos, é reeleger os atuais deputados do partido e também garantir a vitória de novos quadros para aumentar a nossa bancada na Câmara Federal. Nosso mandato é muito importante para o fortalecimento do partido e para o povo da Bahia”, disse Lídice. Em maio, vale lembrar, Lídice confirmou que havia sido convidada por Wagner para integrar sua chapa como suplente, mas afirmou que ainda avaliava a possibilidade. “Eu tenho conversado com Wagner, obviamente que é um convite que muito me honra, sou uma política que tem uma história vinculada uma construção partidária e é uma organização do campo político em que atuo”, disse a deputada na ocasião. Fonte: Tribuna da Bahia.

Lula escolhe Cid Gomes para disputar Senado no Ceará
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu que o senador Cid Gomes (PSB-CE) disputará a reeleição ao Senado Federal pelo Ceará. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 14, pelo governador do estado Elmano de Freitas (PT), após reunião no Palácio da Alvorada. O deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) será o primeiro suplente. Participou da reunião o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), o senador Camilo Santana (PT-CE), o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), e Cid Gomes. Cid Gomes vinha descartando a candidatura desde o início do ano. O senador chegou a declarar apoio público à candidatura do deputado federal Júnior Mano para a vaga. Nas últimas semanas, porém, passou a admitir a possibilidade de tentar a reeleição, caso o deputado desistisse da disputa. A candidatura de Cid era a preferida por aliados do governador Elmano de Freitas, que busca a reeleição. Elmano, aliás, concorrerá contra Ciro Gomes (PSDB) pelo executivo estadual. Ciro e Cid são irmãos e ex-aliados políticos. Eles romperam em 2022, durante a escolha do candidato do PDT ao governo do Ceará. Ciro defendia o nome do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio; Cid apoiava a então governadora Izolda Cela, que assumira o cargo após a saída de Camilo Santana para concorrer ao Senado. Em votação no diretório estadual do PDT, Roberto Cláudio venceu Izolda (preferida nas pesquisas à época) e foi escolhido candidato ao governo do Estado. A decisão levou o PT, então aliado histórico do PDT no Ceará, a romper a coligação. No mesmo dia em que a candidatura de Roberto Cláudio foi lançada oficialmente, o PT confirmou o nome de Elmano de Freitas para a disputa, dividindo o grupo político dos irmãos. Ciro e Cid não se falam desde agosto de 2022. Política Falta ainda definir duas vagas na chapa majoritária: a segunda indicação ao Senado e o nome que disputará a vice-governança. A vice-governadora atual, Jade Romero (PT), disputará a eleição para deputada estadual. Segundo Elmano, cada partido aliado terá direito a uma escolha na chapa. O próximo passo será indicar a outra vaga ao Senado. A expectativa é que seja oferecida a um aliado de partido de centro para ampliar a aliança em torno da reeleição de Elmano. Fonte: Tribuna da Bahia.

Dino intima presidentes de 21 partidos para explicar destinação de emendas
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), publicou uma decisão nesta quarta-feira (15) em que intima lideranças de todos os 21 partidos com representação no Congresso Nacional para que prestem explicações, no prazo de dez dias, sobre como definem e distribuem emendas parlamentares. A iniciativa ocorre no rastro da investigação sobre a suspeita de que dirigentes partidários contam com cotas de emendas de indicação, o que desrespeita a probidade pública. Dino pediu esclarecimentos, sobretudo, em relação aos cinco itens abaixo. Se o Presidente do partido dispõe de cotas, reservas ou qualquer outro mecanismo de alocação de emendas parlamentares; Em caso positivo, sua natureza, finalidade e abrangência; A quem compete autorizar e deliberar sobre sua utilização; O fundamento jurídico-normativo que embasa a prática; O instrumento por meio do qual tais mecanismos são formalizados (normas, atas ou similares); procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos respectivos recursos, por parte dos Presidentes dos partidos. Em sua decisão, o magistrado reforçou o comunicado publicado na última terça-feira (14), em que afirma que a deliberação de emendas parlamentares é uma prerrogativa exclusiva de parlamentares ativos. Para o ministro, é “totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar”. O magistrado ressalta que os dirigentes partidários deverão esclarecer se dispõem de cotas, a quem compete autorizar e deliberar sobre emendas parlamentares e qual o procedimento efetivamente adotado para a definição e destinação dos recursos públicos. A nova publicação decorre, segundo o documento, da percepção de que líderes partidários se manifestaram de forma contrária a essa premissa em declarações públicas. Flávio Dino cita, em específico, a entrevista que Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, deu ao canal GloboNews. Valdemar disse ser “lógico” que presidentes de todos os partidos influenciem na destinação de emendas. “Mas é lógico. A função do presidente é cuidar do partido.” Em entrevista à CNN Brasil na última sexta-feira (10), Valdemar já havia opinado de forma semelhante, para ele seria “natural” um líder da legenda articular e influenciar politicamente a bancada. O ministro embasa o destaque pelo fato do dirigente da direita estar à frente de “um dos maiores partidos brasileiros”, o que justificaria maior atenção às suas declarações. O que dizem os partidos O PT informou que o presidente da sigla, Edinho Silva, “jamais participou de qualquer articulação para a liberação de emendas parlamentares”. Também afirmou que Edinho recebeu a decisão “com tranquilidade e, assim que for notificado, prestará todos os esclarecimentos solicitados, nos termos definidos pelo Supremo Tribunal Federal”. Em nota, o Novo afirmou que ” gestão partidária é completamente separada da atuação dos parlamentares”. A sigla negou que o atual presidente, Eduardo Ribeiro, e líderes anteriores da sigla tenham indicado, solicitado ou sugerido “a destinação de qualquer emenda parlamentar”. O PC do B afirmou, em nota, que responderá ao despacho de Dino e informará que “a Presidência Nacional do PC do B em nada interfere na destinação dos recursos orçamentários através de emendas parlamentares e que respeita integralmente a prerrogativa exclusiva de cada um dos deputados e das deputadas” que integram a bancada. Em relação ao Solidariedade, a sigla esclareceu que as emendas parlamentares destinadas ao deputado federal Paulinho da Força (SP) “foram recebidas em sua condição de parlamentar, no exercício do mandato de deputado federal, e não em razão de sua atuação como presidente do Solidariedade”. Os recursos foram direcionadas, segundo o partido, para municípios de São Paulo. O Podemos manifestou apoio a decisão de Dino e, em nota, destacou a defesa da transparência como um dos “pilares” da sigla desde a sua fundação. “Todo procedimento estabelecido, seja pela legislação ou pela Justiça, deve ser cumprido, e com maior afinco aqueles que fortalecem o controle e a responsabilidade com a aplicação de recursos públicos, preservando os sistemas democráticos e os papeis dos poderes federativos”, disse a sigla. Renan Santos, presidente do Missão, afirmou em vídeo divulgado que o partido irá prestar contas e detalhar todas as emendas relacionadas ao deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), único representante da sigla no Congresso. “Vamos explicar todas as emendas e contar em detalhes como nós enviamos e porque nós enviamos, o porquê não estamos no ‘orçamento secreto’, e porque o nosso partido é absolutamente diferente dos outros”, disse Renan Santos. Ele também afirmou que iria “desafiar” outros presidentes de partidos a fazerem mesmo. À CNN, o PV informou que a sigla vai responder ao ministro Flávio Dino e que o partido “não tem nenhuma cota, a responsabilidade total das emendas é dos parlamentares”. Marcus Neskau, presidente do PRD, e Alex Manente, presidente do Cidadania, disseram que ainda não foram informados ou notificados sobre a determinação. A assessoria do União Brasil informou que a sigla “não recebeu qualquer notificação do Supremo Tribunal Federal sobre esse assunto”. A assessoria do MDB declarou que “emenda parlamentar é prerrogativa exclusiva de parlamentar”. Fonte: CNN Brasil.

PDT tem planos de eleger até seis deputados estaduais na Assembleia Legislativa
O PDT tem planos ambiciosos para as eleições deste ano na Assembleia Legislativa da Bahia. O partido quer eleger até seis deputados estaduais. Para isso, aposta em uma nominata formada por nomes considerados de peso no cenário político baiano, a maioria oriundos do PRD e do Solidariedade, a exemplo de deputados, ex-parlamentares, filhos de prefeitos e lideranças do interior. Um desses candidatos será Pastor Tom, ex-deputado estadual de Feira de Santana que estava no Solidariedade. Ele se filia ao PDT no dia 21 de outubro, dia da convenção do partido da Bahia. Por ser policial militar, ele tem a prerrogativa de se filiar depois do período anterior aos três meses que antecedem o período eleitoral. A sigla tem ainda outros nomes, como o ex-prefeito de Euclides da Cunha Luciano Pinheiro, uma das principais apostas. Há, ainda, Penélope Belitardo, esposa do prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Belitardo; Cacau da Mata, filho da prefeita de São Sebastião do Passé, Nilza da Mata (MDB); Rafael Meireles, herdeiro do gestor de Cairu Hildécio Meireles (União); e Kátia Bacelar, que foi do PL Mulher. O PDT terá ainda as candidaturas a Assembleia do ex-deputado estadual Josafá Marinho e de Mitsue Yoshida, filha da prefeita de Conceição do Jacuípe, Tânia Yoshida (PSD), além dos dois parlamentares da legenda na Assembleia Legislativa, Marcinho Oliveira e Pancadinha, que concorrem à reeleição. “O PDT tem atualmente 71 pré-candidatos a deputado estadual. Precisamos reduzir esse número para 64. Dessa forma, alguns dos nomes irão disputar a eleição para deputado federal, pois a nossa prioridade é garantir a renovação do mandato do nosso presidente na Bahia, o deputado Félix Mendonça Júnior”, disse Marcinho Oliveira. Marcinho participa ativamente da composição da chapa. Ele era o presidente do PRD na Bahia até deixar o partido, em junho, por incompatibilidade com a legenda e o Solidariedade – as duas siglas formavam uma federação. Fonte: Política Livre.

Renan Santos usa cidades isoladas como laboratório de pré-campanha
“Eu achei ótimo, né? Porque aqui na minha casa tinha vindo candidato a prefeito e vereador. Candidato a presidente nunca tinha vindo”, diz Cilene Malheiro, 46, após receber o pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, no casebre de palafita onde vive, em Melgaço (PA), no arquipélago do Marajó. Mora ali com parte dos oito filhos, o marido e o pai. Questionada pela Folha sobre o que pediria a um presidente, Cilene não falou de ideologia. “A água e o hospital, né, para fazer cirurgia, que não tem aqui.” Cilene contou que a água do rio serve “para o consumo, para tomar banho, para lavar roupa, para tudo”. Relatou episódios frequentes de diarreia entre os filhos. Um menino de seis anos havia recebido diagnóstico de verminose, segundo ela, e outro precisou ser levado a Breves para consulta. Melgaço entrou no noticiário nacional por aparecer no Atlas do Desenvolvimento Humano como o município de menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do país no ranking divulgado em 2013, com dados do Censo de 2010. Documentos estaduais de saneamento produzidos em 2022 e 2024 registram que Melgaço não dispunha de rede coletiva de esgoto e que parte dos dejetos era destinada a fossas ou lançada nas águas que banham a cidade. Renan chegou àquela casa depois de uma viagem em um barco de linha que dura entre 12 e 14 horas, da capital Belém a Breves, no Marajó, com alguns camarotes com camas a R$ 330 e espaço para rede por R$ 130 (o passageiro deve levar a sua). O barco deixou Belém no fim da tarde, mas precisou voltar devido a problemas mecânicos. Partiu novamente por volta das 22h e chegou a Breves perto do meio-dia. De lá, a equipe seguiu de lancha por 40 minutos até Melgaço. Na cidade, Renan e seus auxiliares usaram mototáxis para alcançar a área de palafitas onde vive Cilene. Devido ao atraso na noite anterior, a equipe passou menos de três horas em Melgaço. A passagem pelo Marajó, porém, não era uma visita isolada. Segundo sua equipe, ele já percorreu 97 municípios em sete estados desde o fim do ano passado, numa tentativa de conhecer e exibir regiões mais afastadas das capitais. Em meados de junho, a Folha acompanhou Renan, 42, por dois dias no Pará. Ele alternava a fala de candidato com a de produtor do próprio conteúdo: interrompia conversas para repetir uma pergunta, testava frases para a câmera e discutia, com a equipe, como transformar cada encontro em vídeo. O contato direto era apenas a primeira etapa do material que depois circularia em suas redes sociais. A comitiva que seguiu ao Marajó tinha dez pessoas, entre produção, comunicação e segurança. Antes da viagem, integrantes do grupo pesquisaram a rota, procuraram personagens e articularam a agenda local. Também acionavam perfis de notícia e influenciadores regionais, em lugares onde o noticiário muitas vezes circula mais por influenciadores locais do que por veículos tradicionais. A equipe estima que uma semana de agenda do grupo completo custe de R$ 25 mil a R$ 30 mil, com deslocamentos, hospedagem, produção e imprevistos. No Pará, onde Renan passou uma semana, o gasto teria ficado perto de R$ 30 mil, segundo auxiliares, considerando locação de carro, pneus furados, voos perdidos e cancelamentos. No barco, antes de chegar a Melgaço, Renan descreveu a lógica da pré-campanha. “Eu era, no começo, pequeno demais pra me darem cobertura nacional, mas eu era grande demais, como pré-candidato a presidente, para passar em cidades pequenas”, disse. A partir daí, decidiu usar problemas locais como porta de entrada para falar de política nacional. Ele afirma que procura municípios onde possa contrastar o peso político de grupos regionais com as condições de vida da população. No Maranhão, citou a intenção de mostrar políticos que, segundo ele, têm influência em Brasília, mas administram cidades que permanecem pobres. “Não só porque era esperto fazer isso, mas porque isso se adapta ao nosso projeto”, disse. A fórmula mistura denúncia local, ataque a adversários e promessa de solução. A estratégia tem um precedente conhecido na política brasileira: as Caravanas da Cidadania de Luiz Inácio Lula da Silva. Em abril de 1993, o então candidato iniciou uma série de viagens organizadas pelo Instituto da Cidadania. A primeira percorreu 4.500 quilômetros em 20 dias, por sete estados e 68 cidades. Até as eleições de 1994 foram sete caravanas, que chegaram a 359 cidades e percorreram cerca de 80 mil quilômetros. Lula priorizava conversas com moradores, produtores, trabalhadores e lideranças locais, fazendo perguntas sobre os problemas de cada lugar. Falando do atual presidente, em um vídeo publicado depois da visita, Renan apresentou a casa de Cilene como “o mundo por trás da propaganda do PT”. Em outro, usou a água do rio, a diarreia e a verminose relatadas pela mãe para falar de saneamento. Num terceiro, transformou a gravidez de uma filha adolescente em discurso sobre planejamento familiar, educação sexual e ausência paterna. A filha, de 16 anos, está grávida e deixou a escola. A adolescente disse que o pai da criança era um homem de 28 anos e ciumento. Cilene afirmou que dois dos filhos têm emprego formal e moram fora de casa. Outro está preso por esfaquear um tio. Horas depois de filmar a casa de Cilene, Renan foi à Eco-Fazenda Escola Patú Anú, iniciativa privada ligada aos produtos Awi Superfoods. O lugar reúne sistemas agroflorestais, viveiros, criação de animais, biodigestor e atividades de formação de produtores. No vídeo, o pré-candidato mostrou cacau, café, compostagem e geração de gás. Disse que a fazenda demonstrava que o Marajó poderia ser “muito mais do que pobreza” e defendeu investimento, tecnologia e qualificação profissional como caminho para a região. Renan descreve esse contraste como uma tentativa de mostrar tanto os problemas quanto as experiências positivas. Mas os dois lados funcionam como capítulos de uma mesma história. A casa de palafita serve à crítica ao PT, à assistência social e ao poder local. A fazenda em Breves serve à defesa de investimento privado, tecnologia e qualificação.