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Saúde

Conferência Nacional aprova diretrizes para novo plano de políticas para mulheres e inclui debate sobre aborto

A 5ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (CNPM) foi encerrada nesta quarta-feira (1º), em Brasília, com a aprovação de 60 propostas que servirão de base para o próximo Plano Nacional de Políticas para Mulheres, a ser elaborado pelo governo federal. Entre as recomendações aprovadas estão o fim da jornada de trabalho 6×1, a legalização do aborto, a criação de cotas de gênero tanto na política quanto no esporte e a implantação de um Sistema Nacional de Políticas para Mulheres, inspirado no SUS e no SUAS. As delegadas também aprovaram medidas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, combate à violência política de gênero, incentivo ao empreendedorismo feminino, políticas de cuidado e ações de enfrentamento à crise climática sob perspectiva de gênero. Segundo o Ministério das Mulheres, a expectativa é que o novo plano seja publicado até meados de 2026. Divergências e histórico A proposta sobre a legalização do aborto foi a que mais gerou debate entre as cerca de 4 mil delegadas presentes, embora tenha sido aprovada por ampla maioria (83%). Atualmente, o procedimento é permitido apenas em casos de estupro, risco de vida para a gestante ou anencefalia do feto. O governo, no entanto, mantém a posição de que a descriminalização deve ser discutida apenas no Legislativo ou no Judiciário, sem interferência direta do Executivo. Essa postura difere da adotada em 2004, quando a primeira CNPM resultou na criação de uma comissão tripartite para discutir o tema, cujo projeto acabou arquivado em 2011. Outras propostas Alteração da lei eleitoral para garantir paridade de gênero, raça e etnia nos mandatos legislativos. Destinação de 50% do fundo partidário e eleitoral para candidaturas femininas (atualmente a cota mínima é de 30%). Reserva de metade das vagas do programa Bolsa Atleta para mulheres. Criação de um Observatório Nacional de Violência de Gênero para sistematizar dados sobre agressões. A última conferência havia ocorrido em 2016, ainda no governo Dilma Rousseff. Agora, com a retomada do encontro, movimentos sociais pressionam para que todas as recomendações aprovadas sejam incorporadas ao plano nacional, enquanto o governo sinaliza que pontos mais polêmicos ainda passarão por negociações internas.

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Brasil terá aumento de 360% no número de pessoas com demência até 2050

No proximo dia 1º de outubro, se comemora Dia do Idoso, e o alerta se volta para o Alzheimer, doença que compromete memória, raciocínio, linguagem, orientação e comportamento. A Afya chama atenção para os diferentes estágios da enfermidade, que atinge principalmente pessoas com menor grau de escolaridade. Os sinais iniciais, muitas vezes sutis, podem ser confundidos com o envelhecimento natural, atrasando o diagnóstico e o início de tratamentos que retardam a progressão dos sintomas. O Brasil vive um rápido envelhecimento populacional. Segundo o IBGE, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2023, faixa etária em que o risco de Alzheimer é maior, sobretudo em mulheres. Relatório do Ministério da Saúde projeta que, até 2050, o número de brasileiros com demência, estágio avançado da doença, chegue a 5,5 milhões, um aumento de 360% em relação aos índices atuais. “Não existe uma forma definitiva de evitar a doença, mas é possível reduzir o risco com hábitos saudáveis”, explica a médica e preceptora de Neurologia da Clínica Escola Afya Salvador, Ana Margarita Bolaños Cordeiro Vinhas. “Dieta equilibrada, atividade física regular, controle da pressão, diabetes e obesidade, boa qualidade do sono e estímulos cognitivos, como palavras cruzadas, aprender um idioma ou tocar instrumento musical, ajudam a aumentar a reserva cognitiva e proteger o cérebro.” Especialistas reforçam que prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais: manter-se ativo física, social e mentalmente é uma das melhores estratégias para retardar o avanço da doença.

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Suicídios de idosos no Brasil superam o total do restante da população; Bahia representa 12% dos casos

A vontade dos idosos, na maioria das vezes, não é de morrer, mas de acabar com o sofrimento. É o que explica o psicogeriatra Lucas Alves Pereira, médico psiquiatra com formação especializada na saúde mental da população idosa. Diversos levantamentos reforçam essa constatação. Em 2021, a Universidade de São Paulo (USP) publicou uma pesquisa epidemiológica baseada em dados do Ministério da Saúde, referentes a 2012 e 2016, mostrando que a taxa média de suicídio entre idosos era 47,2% superior à média geral da população brasileira no período analisado. Embora o estudo tenha sido publicado há alguns anos, os números permanecem altos. Um levantamento de 2023 feito pelo Umane: Observatório de Saúde Pública indicou que, entre pessoas com 65 anos ou mais, 374 idosos foram vítimas de suicídio, enquanto entre os indivíduos com até 64 anos o número foi de 325, 49 a menos. Os dados mostram ainda que mulheres representam cerca de 59% dos casos e homens, 40%. Na Bahia, o padrão se mantém. Das 45 vítimas registradas pelo levantamento do Umane, 66% eram mulheres (30 vítimas) e 33% homens (15 vítimas). Entre as vítimas de 15 a 64 anos, o estado registrou 32 casos, o que representa aproximadamente 70% do número de suicídios entre idosos de 65 anos ou mais. Para o psicogeriatra e professor de Farmacologia da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), Lucas Alves Pereira, o risco elevado de suicídio entre idosos está ligado a fatores como perda de entes queridos e o isolamento social que a aposentadoria muitas vezes traz. “A questão das perdas é significativa. Um grupo etário mais suscetível a perdas vê morrer amigos, cônjuges e, eventualmente, até filhos. O isolamento social nesse contexto pode gerar ou agravar a depressão nos idosos”, explicou. Um exemplo recente é o pai da apresentadora Ana Clara Lima, que comanda o reality musical Estrela da Casa, na TV Globo. Ayrton Lima, de 63 anos, começou a trabalhar como motorista de aplicativo para manter a mente ativa. “Ele quis rodar por aí, dirigir, conversar com as pessoas. Ser motorista é um trabalho digníssimo. Ele adora. É importante para a cabeça dele”, contou Ana Clara ao jornal O Globo. Para reduzir esses números crescentes, tanto os especialistas quanto pesquisas epidemiológicas apontam a necessidade de melhoria em políticas públicas, campanhas educativas, observação de mudanças comportamentais nos idosos e melhor treinamento dos profissionais de saúde. “Infelizmente, as políticas de saúde ainda têm deixado a desejar, e a incidência de transtornos mentais segue aumentando. Campanhas educativas são fundamentais. Observar alterações comportamentais, como a diminuição da capacidade de sentir prazer, é um passo importante para prevenção”, concluiu o médico.  

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Bahia registra mais de 5.600 crimes ambientais; queimadas representam 67% dos casos entre 2022 e 2025

Um levantamento da agência de dados Fiquem Sabendo revelou um cenário alarmante: entre 2022 e março de 2025, a Bahia registrou 5.684 crimes ambientais, atingindo 395 dos 417 municípios do estado. Isso significa que 94,7% das cidades baianas tiveram, nesse período, algum tipo de infração ligada ao meio ambiente. Salvador lidera os registros A capital baiana foi a cidade com o maior número de ocorrências, acumulando 368 casos. Logo atrás aparecem: Ilhéus: 165 Formosa do Rio Preto: 130 Feira de Santana: 114 Vitória da Conquista: 113 Mucuri e Entre Rios: 103 cada Porto Seguro: 91 Alagoinhas e Luís Eduardo Magalhães: 88 cada São Desidério: 87 Queimadas puxam o ranking Entre os 23 tipos de delitos ambientais registrados, as queimadas foram de longe o principal problema, respondendo por 67,47% dos casos. No total, 3.811 incêndios foram reportados no período, afetando 378 municípios.Só Salvador registrou 339 episódios de queimadas, consolidando-se como o epicentro desse tipo de crime no estado. Além das queimadas, outros crimes ambientais se destacaram: Desmatamento e destruição de florestas: 695 casos Caça e morte de animais silvestres: 460 Corte ilegal de árvores: 349 Extração irregular de minerais em florestas: 145 Zonas mais afetadas A análise mostra que os crimes se concentram especialmente nas áreas rurais, que somaram 2.834 registros (49,8%). Já as regiões urbanas contabilizaram 661 casos (11,6%), enquanto os delitos em vias públicas alcançaram 460 ocorrências (8,1%). Alerta para o futuro Os números reforçam a urgência de políticas mais efetivas de prevenção, fiscalização e conscientização. O impacto vai além da degradação ambiental: ameaça a biodiversidade, compromete a saúde pública e afeta diretamente a economia de comunidades que dependem dos recursos naturais.

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AL-BA celebra aprovação de lei que reconhece fibromialgia como deficiência e anuncia novos avanços para pacientes

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) foi palco, nesta quinta-feira (25), de um fórum histórico para pacientes e ativistas da saúde. O evento celebrou a sanção da Lei nº 15.176/2025, assinada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), que reconhece a fibromialgia como deficiência. O encontro, realizado no Auditório Jorge Calmon, contou com lideranças políticas, associações de pacientes e especialistas, que ressaltaram o impacto da medida como um marco na luta pela dignidade e pelos direitos das pessoas diagnosticadas com a doença. Um ato histórico A deputada Maria del Carmen (PT), autora do projeto, destacou o simbolismo da conquista. “Fui autora da Lei Estadual que reconhece a fibromialgia como deficiência. Essa conquista, fruto da escuta e do diálogo com as associações, é mais do que um marco legal, é um ato de respeito e dignidade”, afirmou a parlamentar. A proposta nasceu de uma série de fóruns e audiências públicas e deu origem também a um Programa de Proteção e Atendimento Multidisciplinar, que começará a funcionar em janeiro de 2026. O modelo prevê acompanhamento médico, fisioterapêutico e psicológico para pessoas diagnosticadas. O que é fibromialgia e por que o reconhecimento importa Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fibromialgia é uma síndrome de dor crônica primária, caracterizada por dores difusas no corpo, fadiga, distúrbios do sono e impacto direto na qualidade de vida. O grande desafio é o atraso no diagnóstico, somado à falta de políticas públicas específicas, o que agrava o sofrimento dos pacientes. Sem cura, a doença exige tratamento contínuo e multidisciplinar. Nesse ponto, a deputada Maria del Carmen destacou a importância da articulação com a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, que garantiu a criação da CIB 263/2024, norma que estabeleceu uma linha de cuidado para pacientes com fibromialgia. Essa iniciativa já incorporou o tema nas capacitações de profissionais da atenção primária, com suporte do Telessaúde Bahia. “Só falta uma coisa: a contratação dos profissionais”, reforçou a parlamentar, cobrando a etapa final para efetivar a política. Vozes da luta e próximos passos Entre os participantes do fórum, estavam Silvanete Brandão, presidente da Associação de Deficientes Físicos da Bahia, além das ativistas Silvia Ribeiro (AFIBS) e Márcia Félix, que chamaram atenção para a necessidade de expandir o atendimento para além da capital e preparar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do interior. Uma mesa com especialistas também discutiu políticas públicas e estratégias de tratamento, reforçando a importância da abordagem integrada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Campanha Estadual de Conscientização O fórum também marcou o lançamento da Campanha Estadual de Conscientização sobre a Fibromialgia, que terá início já nos próximos dias. A ação contará com vídeos e banners em estações do metrô de Salvador, como Lapa e Acesso Norte, em parceria com a CCR Metrô. A campanha terá duração de 30 dias e pretende ampliar o acesso à informação, divulgar os novos direitos conquistados e combater o estigma enfrentado por quem convive com a doença. Reconhecimento e dignidade O reconhecimento da fibromialgia como deficiência garante às pessoas diagnosticadas acesso a direitos previstos em lei, como prioridade em serviços públicos e privados, além de políticas de inclusão social. O evento desta quinta-feira foi considerado por muitos participantes como um divisor de águas na luta por mais visibilidade e amparo às pessoas com fibromialgia na Bahia.

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OMS rebate Trump e afirma que não há relação entre paracetamol na gravidez e autismo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) veio a público nesta quarta-feira (24) para desmentir declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que associou o uso de Tylenol — nome comercial do paracetamol — ao aumento de casos de autismo no mundo. A entidade foi categórica: não existem evidências científicas conclusivas que estabeleçam qualquer ligação entre o medicamento e o transtorno do espectro autista (TEA). A fala de Trump ocorreu no início da semana, em um pronunciamento oficial ao lado de Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde norte-americano e figura conhecida por propagar teorias conspiratórias, especialmente contra vacinas. O comentário rapidamente ganhou repercussão mundial, mobilizando cientistas e especialistas que alertaram para os riscos de disseminar informações sem base científica. O que diz a ciência O paracetamol é um dos analgésicos e antitérmicos mais consumidos do planeta, amplamente utilizado para o tratamento de dores e febre. Reconhecido pela comunidade médica como seguro para gestantes, é frequentemente indicado como alternativa ao ibuprofeno, que não deve ser utilizado durante a gravidez. A farmacêutica Laura Marise, doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp e criadora do projeto de divulgação científica “Nunca vi 1 cientista”, reforça que associar o uso do medicamento ao autismo não encontra respaldo em estudos sérios. “O perigo está em espalhar informações sem comprovação científica. Isso gera pânico desnecessário em gestantes e pode levar à suspensão de tratamentos seguros, colocando mães e bebês em risco”, afirmou. Ela explica ainda que pesquisas recentes investigam múltiplos fatores relacionados ao aumento dos diagnósticos de autismo no mundo, mas que nenhuma relação causal com o paracetamol foi estabelecida. Especialistas reforçam segurança do paracetamol O médico Romulo Negrini, vice-presidente da comissão de parto da Febrasgo e coordenador de Obstetrícia do Hospital Albert Einstein, alerta que toda gestante deve sempre procurar orientação médica antes de usar qualquer medicamento, mas destaca que o paracetamol segue sendo seguro. “O uso do paracetamol durante a gravidez, quando feito sob supervisão médica, não oferece risco adicional ao desenvolvimento do bebê. É um medicamento amplamente estudado e reconhecido como opção adequada para gestantes”, reforçou. Fake news e saúde pública A fala de Trump ocorre em um contexto delicado: a disseminação de teorias conspiratórias sobre saúde. Robert Kennedy Jr., aliado do republicano e presente no anúncio, tem longo histórico de campanhas antivacina, muitas vezes desmentidas por instituições médicas e científicas. Para especialistas, a repetição desse tipo de discurso pode afetar diretamente a confiança da população em tratamentos seguros e políticas de saúde pública, criando um terreno fértil para desinformação em escala global. O papel da OMS Com a nota oficial, a OMS buscou conter os impactos da fala de Trump e reafirmar a importância da ciência no debate público. A entidade destacou que, embora pesquisas continuem sendo realizadas, não há qualquer base para associar o uso do paracetamol na gravidez ao autismo. O episódio reforça um ponto central: líderes globais, ao ocuparem tribunas internacionais, têm o dever de responsabilidade na comunicação sobre saúde pública. Para a comunidade científica, declarações sem respaldo podem custar caro, principalmente quando se trata de decisões tomadas por milhões de gestantes em todo o mundo.

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