O Presidente Lula discursou na abertura da reunião da 68ª cúpula do bloco Mercosul, em Assunção, no Paraguai. Segundo o petista, “nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”. O presidente brasileiro, porém, não citou nomes.
“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que uma região encontre seu espaço em um mundo em transformação.“
Com políticos da direita à frente da maioria dos países da região, o governo Lula vê a necessidade de reinventar relações. Quando foi eleito para o terceiro mandato, em 2022, só Equador e Uruguai tinham governos à direita. Desde então, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Colômbia e Peru aderiram ao espectro oposto ao de Lula. Com isso, alcançar consensos pode ficar mais complicado.
Temas como a exploração dos chamados minerais críticos, ou terras raras, por exemplo, não têm unanimidade dentre os países do Mercosul. Como em outros assuntos, o tema esbarra na atual divergência de visão entre os líderes sul-americanos, em especial quando se trata das relações com os Estados Unidos.
Brasil tem uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Lula tem repetido que não se opõe a interesses estrangeiros, desde que o controle sobre a retirada seja feito pelo Estado brasileiro. Já a Argentina de Javier Milei, que também tem reserva de minerais críticos, assinou um acordo com Donald Trump para facilitar o acesso norte-americano.
Lidar com essas divergências será o principal desafio internacional de Lula. Caso consiga um quarto mandato, o presidente, historicamente um entusiasta dos blocos regionais, deverá mudar a estratégia de negociação para conversas mais bilaterais do que em grupo.
Acordos comerciais, por sua vez, têm passado por cima das divergências. Nesta reunião, deverão ser tratados os possíveis avanços do bloco com o Japão, tema da conversa de Lula com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, durante o G7 neste mês.
Presidente sugere criação de “Pix regional”
Sistema de pagamentos do Mercosul seria baseado no Pix, sugeriu Lula. Segundo o petista, “o Pix é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital”, e “sua arquitetura pode servir de base para um sistema de pagamento que beneficie todos os cidadãos do Mercosul”.
“A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará a nossa resiliência frente a choques externos.” Afirmou o presidente.
Meio de pagamento está na mira dos Estados Unidos. O governo Donald Trump propôs novas tarifas aos produtos brasileiros como punição por práticas que, segundo ele, atrapalham empresas norte-americanas. Dentre estas práticas está o uso do Pix.
Novo tarifaço é fruto de investigação comercial aberta pelos EUA em julho do ano passado. O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) concluiu que o país adota práticas “irrazoáveis”. O uso massivo do Pix ao invés de empresas de pagamento norte-americanas, como a Visa e a Mastercard, seria uma dessas práticas.
“Vou concorrer para não deixar o país na mão de irresponsáveis”, diz Lula
Pré-candidato à reeleição, presidente diz que ameaças à democracia o fazem querer disputar as eleições novamente. “Eu, aos 80 anos, com vitalidade de um jovem de 20, vou concorrer pela quarta vez à presidência da República do meu país”, disse Lula em fala improvisada, depois de terminar de ler seu discurso oficial.
“Vou concorrer às eleições para poder garantir que o Brasil se mantenha como um país democrático, porque não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes.” Disse o petista.