O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve responder a ofício enviado pela oposição na semana passada que pediu a exoneração do procurador-geral da República Paulo Gonet. A avaliação no Palácio do Planalto é de que o presidente Lula não vai agir para “pré-julgar” ou “condenar por antecipação” Gonet, assim como não o fez com Andrei Rodrigues, afastado do comando da Polícia Federal ontem.
O pedido de retirada imediata do chefe da Procuradoria Geral da República (PGR) do cargo foi enviado a Lula por senadores em 2 de setembro, no dia em que o Estadão revelou diálogos que mostraram relação próxima entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Um integrante da campanha petista afirmou ainda que a PGR representa os três Poderes e que não cabe apenas a Lula a escolha do chefe do Ministério Público. A observação é porque o presidente recebe a sugestão de nomes para ocupar a vaga.
Entretanto, Lula não respeitou a lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) quando escolheu Paulo Gonet para o cargo, em novembro de 2023. Foi a primeira vez em seus governos que o petista ignorou a lista. Em 2019, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tampouco seguiu a recomendação da ANPR e indicou Augusto Aras para a PGR, que foi sucedido por Gonet.
As conversas entre Vorcaro e Gonet
O Estadão revelou que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro conversou por telefone e trocou mensagens com Gonet, em contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, que era emissário nas conversas entre os dois. Nos diálogos, Gonet diz que sente saudades e chama o dono do banco Master de “máquina” após aceitar convite para degustação de uísque em Londres e de pedir que o filho fosse convidado ao evento.
Os registros foram recuperados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro em investigação que apura crimes cometidos pelo banqueiro. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça.