Em um território eternizado pela batida do rock de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Raimundos, a união de quatro amigos reescreveu a história da música popular no Planalto Central. Duzão, Gustavo Goes, Paulinho Félix e Ramon Alvarenga fundaram o Menos é Mais em 2016. Em poucos anos, a sinergia entre o vocalista e o trio de percussionistas transformou encontros informais no maior grupo de pagode do Brasil, reunindo atualmente de 7 a 8 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
A jornada de ascensão começou a tomar proporções gigantescas na internet. O projeto gravado em tom descontraído, batizado de “Medley do Churrasquinho Menos é Mais”, caiu no gosto popular e atingiu mais de 1 bilhão de visualizações, tornando-se o registro audiovisual de pagode mais visto de todos os tempos no YouTube.
Paixão, verdade e a conquista do público
O diferencial do quarteto reside na entrega simples e verdadeira em cima do palco. A síntese desse conceito é explicada pelo próprio vocalista, Duzão: “A gente canta o que vive. Nosso pagode é de verdade”.
Essa autenticidade preencheu o espaço de um gênero que parecia restrito aos grandes centros de São Paulo e do Rio de Janeiro, provando que a capital federal, que já havia exportado o reggae do Natiruts e grandes nomes da MPB, também tinha samba no pé.
As marcas acumuladas pelo grupo impressionam
Pioneirismo nas paradas: primeiro representante do pagode a alcançar o Top 3 do Spotify (em 2023).
Parcerias de sucesso: mais de 50 colaborações registradas e o estrondoso hit “Lapada Dela” (com Matheus Fernandes), dono de 1 bilhão de streams acumulados e 539 milhões de execuções no Spotify.
Visão de mercado: como define Paulinho Félix, “a gente vive o pagode como forma de unir, não de dividir”.
O legado para os novos talentos da capital
A projeção do Menos é Mais pavimentou a estrada para que outros grupos brasilienses alcançassem o circuito nacional. O percussionista Gustavo Goes garante que o fenômeno é apenas o começo de uma nova era para a cultura local.
“Tem muita gente boa surgindo e novos grupos ainda vão ganhar o país. Brasília tem uma cultura muito própria dentro do samba e do pagode, existe uma história aqui. O público daqui é muito eclético. Em outros lugares do Brasil, eu não vejo essa mistura tão forte”, avalia o músico, celebrando a fase de ouro da música brasiliense.