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Brasil não vê risco de ‘efeito Zelensky’ em visita de Lula a Trump

Em que pese o estilo imprevisível e midiático de Donald Trump, diplomatas brasileiros e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticamente descartam o risco de tentativas de constrangimentos públicos por parte do republicano durante o encontro dos dois líderes amanhã, na Casa Branca, em Washington.

Lula embarcou para os Estados Unidos na tarde de hoje e é esperado no Salão Oval às 11h de amanhã no horário local (12h de Brasília), para uma visita que deve se estender para um almoço de trabalho na residência do presidente dos EUA, com a presença de ministros e secretários dos dois países.

Antes disso, porém, é esperado —embora ainda não totalmente certo— que a imprensa brasileira e norte-americana possa acompanhar os momentos iniciais de conversa entre Trump e Lula. Trata-se de uma tradição dos presidentes americanos em suas reuniões bilaterais.

Com popularidade em baixa, tendência é Trump evitar hostilidades

Em interações com dois líderes estrangeiros no ano passado, Trump adotou um discurso hostil diante das câmeras e submeteu os colegas a humilhações. Ao ucraniano Volodymyr Zelensky, anunciou cortes de verbas de guerra. Com o sul-africano Cyril Ramaphosa, usou vídeos de informações consideradas falsas para acusar o governo da África do Sul de permitir um genocídio contra a população branca do país.

Nas duas ocasiões, porém, Trump ainda estava no cargo há poucos meses, gozava de mais popularidade e exercitava com grande liberdade os limites de seu estilo de projetar poder. Além disso, ele tentava deixar claro a antigos aliados, especialmente os europeus, que as prioridades de defesa e geopolítica dos EUA tinham mudado.

Diplomatas brasileiros e auxiliares de Lula avaliam que, agora, a condição do republicano é significativamente diferente.

Em meio a uma guerra de mais de dois meses com o Irã, desaprovada pela maioria da população dos EUA e que tem pressionado os índices de inflação do país, Trump tem buscado agendas positivas, especialmente em assuntos comerciais e em exploração de minerais críticos, dois temas que estarão na mesa com o Brasil.

Além disso, seu comportamento errático já levou boa parte dos eleitores norte-americanos a questionar o equilíbrio mental do mandatário —incluindo quase metade dos republicanos.

Com a expectativa de enfrentar uma eleição de meio de mandato em seis meses e sob o risco de perder a maioria que detém hoje no Congresso, não faria sentido para Trump convidar Lula para produzir cenas de caos e constrangimento. Além disso, os dois presidentes já disseram que houve uma “química” entre ambos.

O risco de uma emboscada era considerado real no ano passado, quando os dois países enfrentaram sua maior crise em 200 anos de relação.

Em julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil e sanções a autoridades do país, acusando a Justiça brasileira de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro e prejudicar os interesses econômicos de big techs americanas no país. Até por isso, a distensão entre ambos foi orquestrada para se dar nos bastidores: um abraço sem testemunhas nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em setembro passado.

Auxiliares de Lula demonstram muita confiança na qualidade da interação direta e pessoal dos dois presidentes. A animosidade, segundo eles, estaria mais concentrada no segundo e no terceiro escalão da gestão trumpista, com conexões mais estreitas com o bolsonarismo.

E dizem que o canal de comunicação direta entre Planalto e Casa Branca seguiu ativo aos longo dos últimos meses, mesmo com os ruídos na relação que envolveram a cassação por Lula de um visto brasileiro a um dos oficiais do Departamento de Estado e pela expulsão de um delegado da Polícia Federal que atuou com o ICE, a polícia migratória, para a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. A medida foi respondida com reciprocidade pelo Brasil.

Mesmo o Departamento de Estado, considerado um bastião dos interesses bolsonaristas, tem dado sinais de pragmatismo. Esta semana, o secretário adjunto de Estado Christopher Landau, que já fez críticas públicas ao Brasil, disse que “as lideranças políticas vão e vem, mas as relações comerciais permanecem” e devem ser o foco da diplomacia de Trump. A declaração ocorreu em um evento em Washington envolvendo discussões sobre investimentos em áreas cruciais para os EUA, como minerais críticos.

Questionado se terras raras eram prioridade com o Brasil, Landau confirmou, dizendo que o tema é central para os americanos no mundo todo.

Para a diplomacia brasileira, soa mais provável Trump convidar Lula a assistir a um jogo da Copa, no meio do ano, nos EUA, do que tentar se indispor com o brasileiro. Mas caso haja alguma alfinetada, dizem que Lula, aos 80 anos, tem plenas condições de revidar à altura e sair da situação com altivez.

Fonte: UOL Notícias.

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