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ATRÁS DO CHICLETE SÓ NÃO VAI QUEM É BANGUELO, DESCENDO A BANGUELA…

 

O Brasil é um TRIO elétrico (ainda bem que não mudaram o nome para QUADRILHA) – um tipo de veículo grandalhão, “gigante pela própria natureza”, que faz barulho, mas anda devagar, quase parando, aqui, ali, acolá…

O som de alegria pode chegar a todos à sua volta, porém, nem todos estão inclusos na corda em volta… Enquanto alguns estão brincando dentro dela, outros estão “soltos” e amarrados…
“Pular corda” é uma brincadeira de criança que pode dar cadeia em gente grande…

O trio elétrico carrega um tanque de tristeza, diluída em quatro dias até a chegada triunfal na ilusão da praça da apoteose…

Segue em marcha lenta, quase de ré, na “Quarta” – de Cinzas…

Vem a Quaresma! Aí, já são oooooooutros quarenta… São os dias que mais se aproximam à nossa realidade:
deserto, fome, sede, peleja, provação, provocação, prisão, julgamento, conde-nação, desprezo, desdém, humilhação, desespero, aflição, sacrifício…

Um “desfile” com bandas e “marchinhas” fúnebres até o nosso “calvário” particular, conduzido por uma platéia “eleita” por nós mesmos, que assovia, bate palma, joga papel picado (higiênico e “colorido”), gargalha de nós e de si mesma, enquanto atravessamos a passarela da lama…

Uma distração de quatro dias, por ano, em troca do destrato de quatro anos de festa de “arromba”, diária, no Baile de Máscaras no Palácio do Governo…

Pega sua careta, seu abadá, sua mortalha pendurada no cabide, ou amarrotada na sua trouxa de roupa de gala e vista… Olhe no espelho e diga…

“Diga, espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu”…

Melhor não dizer nada! Basta ver o quanto a nossa imagem é ridícula e engraçada; animada e tristonha; alegórica e horripilante, desde os mais “antigos carnavais”…

Se, re-pentina-mente, no meio da multidão, você tropeçar, quebrar a cara ou arranhar a bolacha do joelho e cair direto no Pronto Atendimento, falta esparadrapo e sobra rolos de ser-pentina…

Se, por precaução, você levar a bolsa de primeiros socorros para a folia, vão levar sem você perceber e, talvez, sem sentir “dor”…

E não leve cacetete para se defender… Deixe a polícia trabalhar em paz nessa guerra onde se disputa o metro quadrado mais caro e mais fértil do planeta – ideal para se plantar pulos de felicidade passageira, sem cavar buraco, para tentar enterrar as lamentações e frustrações duradouras e crescentes no resto do ano…

Ânimo, galera!
Levanta a cabeça!
Sai do chão! Sai do chão! Sai do chão!
Mãozinha pra cima (pode ser um assalto)!
Mantenha o sorriso!
Coloque o Bloco dos Dentes Escovados na rua…
Embora hajam muitas “janelas abertas” na boca do brasileiro para espiar esse caminhão descendo a banguela, goela abaixo…

Mantenha o sorriso, mesmo se você apanhar de graça, ou por engano… Que diferença faz o engano de se levar uma surra no meio do povão, entre esses poucos dias, para um povo que vive enganado o tempo todo?!

Fazer o quê…
Reclamar às autoridades?
Elas têm mais o que fazer!

Reclamando de “barriga cheia”, pois as cartelas de preservativos lubrificados são distribuídas, aos montes, gratuitamente, para evitar “encher” a barriga do umbigo recém exposto na camisinha curta e estampada de uma adolescente de primeira viagem na boleia desse trio; para evitar encher a paciência da mãe desesperada e do pai – se houver…

Portanto, não enche o saco de ninguém, nem impede que se encha o saco de “purp-urina”…

Então, vê se não enche!

Por falar em saco, por que será que Papai Noel não vem participar? Já que ele tem “fantasia” própria e “carro” próprio… Trio ou trenó, tudo a ver… Já que não dirige embriagado de álcool, a não ser arrotando Coca… Rô-rô-rô…
Seria um forte candidato a Rei Momo…

Quá! Seria chamantiva demais a sua presença! Sua lembrança ainda é muito recente… Sua mentira parece que foi ontem…

Agora é Carnaval, cidade… “Acorda pra ver”…

O Natal já passou… O que se aproxima é o “nascimento” da morte de Jesus na próxima esquina…

Papai Noel poderia se fantasiar de Vovô Pilatos… Ele é um velhinho muito esperto: prefere não se comprometer… “Lavar as mãos” para levantar peso, não é seu forte… Parece que se recusou a pegar na alça da cruz… Seu saco é mais leve e atraente…

Falar desse assunto pode encher o saco de qualquer folião… E daí?! Ninguém vai ouvir mesmo! Afinal, a boca do alto falante do trio está no volume máximo!

Ele está vindo…

“O pior surdo é o que não quer ouvir” e, nesse caso específico, com toda essa zuada, é, também, o que não consegue ouvir…

O trio está chegando…

“Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…”

O trio está passando…

Ôpa! Levaram meu celul…

Péra aí! Que merda! Agora, eu também vou atrás…

(Bota este bloco de texto na rua… Enquanto o telefone está na mão.)

 

EDMILSON SANTANA

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