O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou a líderes da Casa nesta última quarta-feira (6) que não vai aceitar ou ceder a chantagens.
Segundo um interlocutor relatou, Alcolumbre disse: “Não vou aceitar ser ameaçado e o Senado voltará a funcionar. Não vou aceitar chantagem. Não abrirei mão de minhas prerrogativas.”
Ao dizer que não estava abrindo mão de suas prerrogativas, Alcolumbre estava se referindo ao pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, que é uma prerrogativa do presidente da Casa. Ele disse que não iria transferir a responsabilidade para o plenário.
Para senadores, ele comentou que não há o menor clima para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes, o que foi respaldado pela maioria dos presentes na reunião.
Ele se reuniu com os líderes na Residência Oficial do Senado na tentativa de desocupar a Mesa do plenário, onde senadores bolsonaristas estão acampados em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O movimento, iniciado na terça-feira (5), bloqueia os trabalhos, impedindo a realização de sessões. Deputados e senadores aliados a Bolsonaro têm se revezado para ocupar as cadeiras das mesas em que são conduzidas as sessões tanto do Senado quando da Câmara dos Deputados.
Os senadores da oposição se recusaram a participar da reunião com Alcolumbre, pois ela tem a presença de parlamentares governistas, e chegaram a pedir um encontro separado com o presidente do Senado.
Por conta da ocupação do Senado e da Câmara dos Deputados, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelaram as sessões marcadas para a terça-feira (5).
O movimento de ocupação dos plenários da Câmara e do Senado foi conduzido por parlamentares ao longo de toda a noite de terça e se estende ainda no início da tarde desta quarta.
Ao longo da manhã, uma sessão solene de abertura da cúpula sobre mudanças climáticas com parlamentares da América Latina e do Caribe precisou ser transferida para um auditório distante do edifício principal do Congresso.
No plenário do Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) se acorrentou à mesa que comanda os trabalhos da Casa.
O parlamentar tem ocupado o plenário da Casa desde a manhã de terça, antes mesmo do anúncio da mobilização por parte do grupo. Acorrentado, Malta posou para fotos com colegas e segue ocupando o espaço.
Parlamentares da base governista têm criticado a mobilização e alertado para o risco de pautas importantes sofrerem atraso em razão do bloqueio dos trabalhos.
O principal ponto em discussão é a medida provisória que reajusta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos. O texto já foi aprovado pela Câmara, por meio de um projeto de lei que substitui a MP, mas ainda precisa ser aprovado pelo Senado antes de a MP perder validade, em 11 de agosto.