A política de Vitória da Conquista atravessou, na última semana, um período de intensa movimentação nos bastidores, com mudanças que expuseram fragilidades na base da prefeita Sheila Lemos (União Brasil). Embora o reposicionamento do vice-prefeito tenha gerado repercussão, foram as saídas e novas articulações protagonizadas pelo vereador Diogo Azevedo e pelo ex-vereador Danilo Kiribamba que tiveram maior peso político e impacto direto na estrutura do grupo governista.
Diogo Azevedo, até então um dos quadros mais longevos e identificados com o União Brasil no município, oficializou sua saída da sigla e ingressou no PSDB, assumindo de vez a construção de sua pré-candidatura a deputado federal. Com mais de duas décadas de trajetória política vinculada ao grupo, sua decisão não apenas simboliza uma ruptura relevante, mas também representa a perda de um ativo político estratégico para a base da prefeita.
Em pronunciamento na Câmara Municipal, o vereador foi enfático ao rebater críticas e afastar qualquer narrativa de traição. Segundo ele, sua pré-candidatura vem sendo construída há cerca de um ano, com diálogo interno e transparência. Ainda assim, nos bastidores, sua saída é interpretada como um dos movimentos mais significativos da atual janela política, justamente pelo seu capital político, capacidade de articulação e influência junto ao eleitorado.
Além disso, a construção de sua candidatura em dobradinha com lideranças estaduais amplia o alcance do projeto e o coloca como um concorrente direto na disputa por votos que, até então, orbitavam no campo do União Brasil. O efeito imediato é o enfraquecimento da musculatura política do grupo governista em uma eleição proporcional que tende a ser bastante competitiva.
Outro movimento de forte impacto foi protagonizado por Danilo Kiribamba. Ex-vereador e até então integrante da gestão municipal, ele deixou o União Brasil, rompeu com o governo e anunciou filiação ao Avante, confirmando sua pré-candidatura a deputado federal. A decisão representa uma baixa dupla para o grupo de Sheila Lemos: administrativa e política.
Kiribamba ocupava cargo na estrutura da Prefeitura e estava alinhado à gestão desde 2021. Sua saída não apenas reduz a base de sustentação política, como também reforça a percepção de desgaste interno. Ao migrar para o Avante e retornar à base do governo estadual, ele reposiciona sua atuação e passa a disputar diretamente o mesmo eleitorado que poderia fortalecer candidaturas ligadas ao grupo da prefeita.
Com histórico eleitoral e presença consolidada no cenário local, Kiribamba entra na disputa como mais um nome competitivo, contribuindo para a fragmentação dos votos e ampliando a concorrência no campo político que antes era mais concentrado.
Em meio a esses movimentos de maior densidade política, o vice-prefeito Dr. Alan (Republicanos) também protagonizou uma mudança de posicionamento. Após sinalizar alinhamento ao projeto do grupo da prefeita, com indicação de apoio à pré-candidatura de Wagner Alves, ele recuou publicamente e anunciou que estará ao lado da esposa, a vereadora Dra. Lara Fernandes, que se coloca como pré-candidata a deputada estadual pelo Republicanos. A decisão, além de surpreender, foi interpretada nos bastidores como um gesto político de forte impacto, com potencial de desencadear uma fragmentação no campo da direita local.
A mudança de posicionamento não é apenas simbólica. Dr. Alan ocupa um dos postos mais estratégicos da estrutura de poder municipal e, ao optar por um projeto próprio, sinaliza independência em relação ao núcleo político da prefeita. Na prática, sua decisão enfraquece a construção de uma candidatura única dentro do grupo e abre espaço para uma disputa direta por votos em um mesmo espectro ideológico. A pré-candidatura de Dra. Lara surge, nesse contexto, como um fator de concorrência direta ao projeto anteriormente alinhado, ampliando a pulverização de forças.
A soma desses episódios evidencia uma semana de forte ebulição política em Vitória da Conquista. O que se observa é um processo de fragmentação de lideranças que, até então, orbitavam em torno do mesmo grupo político. Vice-prefeito, ex-vereador e vereador passam a trilhar caminhos distintos, com projetos próprios e estratégias independentes.
Para o núcleo político da prefeita Sheila Lemos, o cenário impõe desafios imediatos. A perda de apoios estratégicos, somada ao surgimento de novas pré-candidaturas no mesmo campo ideológico, dificulta a consolidação de um projeto unificado e amplia o grau de incerteza para as eleições que se aproximam.
Nos bastidores, o clima é de tensão e reavaliação. As recentes movimentações indicam que o processo eleitoral em Vitória da Conquista tende a ser marcado por disputas internas, rearranjos de alianças e uma crescente pulverização de candidaturas, especialmente entre nomes que, até pouco tempo, compartilhavam o mesmo palanque.