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Senado articula derrota da PEC da Blindagem após pressão popular

A semana política em Brasília começou com um recado claro: a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados e que limita a atuação da Justiça sobre parlamentares, está prestes a naufragar no Senado. Líderes da Casa Alta já se movimentam para rejeitar a proposta diretamente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em uma resposta imediata às manifestações que tomaram conta das ruas e das redes sociais no último domingo (21).

Reação rápida

O texto, que obriga o Supremo Tribunal Federal (STF) a solicitar autorização prévia ao Congresso para processar criminalmente deputados e senadores, chegou ao Senado na semana passada e será votado na CCJ já nesta quarta-feira (24).

Segundo bastidores, o objetivo é enterrar a proposta antes que ela avance, evitando desgaste maior à imagem dos senadores. “A disposição de derrotar a PEC no plenário representa também um gesto político. É uma mensagem clara à sociedade”, resumiu um líder ouvido pela Folhapress.

Otto Alencar e Alessandro Vieira contra a PEC

O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), posicionou-se contra a medida e designou como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), igualmente crítico à proposta. Vieira já anunciou que apresentará parecer recomendando a rejeição.

“Essa PEC não pode nem deve voltar para a Câmara, porque lá podem repor trechos que forem descartados ou modificados. O que nós devemos fazer é rejeitá-la, sepultá-la no Senado Federal”, afirmou Otto.

Rachaduras políticas

A velocidade da reação surpreendeu até mesmo líderes da Câmara, que reclamaram nos bastidores de uma suposta quebra de acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Parlamentares da Câmara se dizem expostos às críticas da opinião pública, principalmente o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que foi um dos articuladores da aprovação do texto.

Nas redes sociais, a repercussão foi massiva. O termo #PECdaBlindagemNão figurou entre os mais comentados, pressionando diretamente os senadores. Um aliado de Alcolumbre resumiu a crise:

“A repercussão negativa da PEC foi um terremoto. O Senado perdeu as condições políticas de levar o tema adiante”.

Tentativas de modulação

Apesar da pressão, setores favoráveis à PEC tentam suavizar o texto. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) defendeu restringir o alcance apenas a “crimes de opinião”. Mas a proposta foi ironizada pelo relator Alessandro Vieira: “Não conheço o tipo penal crime de opinião”.

Para Otto Alencar, não há espaço para “aperfeiçoamentos”:

“Respeito a opinião de Ciro, mas a PEC precisa ser rejeitada de forma definitiva. É a única forma de responder à sociedade”.

Caminhos possíveis

Mesmo com o clima contrário, a tramitação da PEC ainda pode seguir diferentes rumos no Senado:

  • Se for considerada inconstitucional e rejeitada por unanimidade na CCJ, pode ser arquivada sem ir ao plenário.

  • Caso seja rejeitada na comissão, mas não de forma unânime, nove senadores podem recorrer para levá-la à votação em plenário.

  • Se considerada constitucional, mas rejeitada por outros motivos, também pode seguir para análise do conjunto dos senadores.

O que está em jogo

A PEC recupera um privilégio parlamentar extinto em 2001, quando o STF precisava da autorização prévia do Congresso para processar deputados e senadores. Na época, a regra caiu justamente porque alimentava a sensação de impunidade.

Agora, com a retomada dessa pauta, o debate opõe de um lado políticos que alegam necessidade de proteção contra suposta “coação judicial” e, de outro, a sociedade civil, que vê na proposta um retrocesso em termos de transparência e responsabilização.

Tudo indica que a pressão popular desta vez terá peso decisivo: o Senado quer dar um recado rápido e forte, sepultando a PEC da Blindagem antes que ela vire crise institucional maior.

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