Durante a abertura do programa “Bem, Amigos” desta segunda-feira, transmitido pelo SporTV, Galvão Bueno tratou da chegada de Renato Gaúcho ao Flamengo. E, em seus primeiros comentários, o apresentador destacou a identificação do treinador com o clube da Gávea, afirmando: “Assinou o contrato com cara de Renato Gaúcho”.

– Já vinha sendo aguardada e esperada a saída do Rogério. Dizem que o relacionamento não estava bom, um áudio vaza, e a demissão acontece na madrugada. E na saída do Rogério Ceni (se dá) a vinda do Renato, que era Portaluppi lá no Grêmio e volta a ser Renato Gaúcho aqui. Assinou o contrato com cara de Renato Gaúcho: de bermuda, de chinelo, saindo da praia, sentado na mesa em frente ao bar com os dirigentes do Flamengo.
– Mas realizou um sonho. Disse na apresentação que está felicíssimo. E disse que teve a felicidade de dar uma volta olímpica como jogador ao lado do Zico. Ele disse aqui no “Bem, Amigos” recentemente que o foco dele era a seleção brasileira. E hoje ele dizia que estar como técnico do Flamengo é a mesma coisa que estar técnico da seleção brasileira. Pela importância e sequência da carreira dele.
Ainda no primeiro bloco, Galvão comentou da mudança de treinador no Flamengo com Casagrande, e o comentarista afirmou não ter surpreendido. Nem com a saída de Rogério Ceni e muito menos com a chegada de Renato.
– Quando Renato saiu do Grêmio, era óbvio que isso ia acontecer. Era óbvio. A sombra do Renato cresceu no Rogério. Rogério não era bem visto, não tinha um ambiente muito legal, e eu achei normal. Não me surpreendeu em nada. Me surpreendeu o horário, podia fazer de dia, conversar com o cara. O Renato não ia assinar com ninguém até o outro dia. Seria mais legal e mais normal.
Casagrande: “Esse lugar estava reservado para o Renato após a saída de Jesus”
Já no penúltimo bloco do programa, Casagrande, ex-companheiro de Flamengo de Renato Gaúcho e amigo do novo treinador rubro-negro, afirmou que o acerto entre clube e técnico era questão de tempo desde 2020. O comentarista, porém, voltou a destacar que não gostou da condução da demissão de Rogério Ceni.
– Nunca neguei que tenho uma amizade muito forte com Renato, torço por ele mesmo. Fora isso, acho um ótimo treinador. É um cara que faz o time treinar muito bem. Fora os estrangeiros, é o cara que continua sendo o mais próximo para assumir a seleção brasileira num futuro. O Flamengo queria. Depois que o Domènec foi demitido, o Flamengo fez proposta para o Renato, e o Grêmio cobriu a proposta. Ele sempre desejou isso, o Flamengo também, o Renato foi ídolo lá, e eles resolveram alguma incompatibilidade.
– Esse lugar, depois que o Jesus, estava reservado para o Renato, pelo menos vendo a lógica pelo desenho dos fatos. O que eu não gostei foi de demitir o Rogério Ceni na madrugada, isso é um muito feio. Parece que estavam fazendo as coisas escondido – afirmou Casagrande.
Galvão voltou a falar da questão da identificação. Afirmou que Rogério Ceni não tinha a cara do Flamengo, algo que enxerga em Renato. Para ele, o novo treinador tem o espírito do clube.
– Eu vejo muito a questão do vestiário. Dizem que o Rogério teria perdido o vestiário e o relacionamento. Que o Rogério não tinha o espírito do Flamengo, e o Renato tem o espírito do Flamengo, é um grande ídolo do Flamengo.
– Pelo que acompanhei nesses quatro anos e meio de Grêmio, o Renato resgata essas coisas dos jogadores, os jogadores jogam por ele. O Gerson foi embora, mas voltam Arrascaeta, Everton Ribeiro e Gabigol. Jogador para o Renato joga na posição, é posicional. O Arão acho que volta para volante. É uma sensação porque o Renato não gosta de inventar.
Ao falar que Rogério não tinha a cara do Flamengo, Galvão permitiu a Casagrande falar de uma das grandes qualidades que Renato tem junto aos jogadores: o poder de se relacionar bem com eles.
– Tem times em, que depois de um título e a saída de um treinador, é preciso você ter um treinador maior do que aqueles caras. E sabe a história daquele cara naquele clube e como treinador. Não estou falando que o Rogério é menor ou pior. Rogério quando chegou no Flamengo vinha do Fortaleza, tendo sido demitido pelo São Paulo antes. Não tinha (“a cara do Flamengo”, algo que Galvão disse sobre Rogério, e Casagrande concordou) e o tamanho dos jogadores. E o problema dele é relacionamento com jogadores. E isso é a maior virtude do Renato. O Renato se dá bem com jogador de futebol. Ninguém é mais esperto que o Renato.