Aprender também é investigar, testar e buscar novas formas de resolver problemas. É com essa perspectiva que estudantes do Senai Bahia participam do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica, voltado ao desenvolvimento de pesquisas conectadas aos desafios da indústria e da sociedade.
A iniciativa reúne 39 alunos bolsistas e 13 orientadores em 13 linhas de pesquisa, distribuídas por nove Escolas Técnicas do Senai Bahia, incluindo as unidades de Salvador, Feira de Santana e Alagoinhas. Ao longo de dez meses, os estudantes vão pesquisar, desenvolver projetos e construir conhecimentos em áreas como Indústria 4.0, biotecnologia e química verde, cibersegurança, eletromobilidade e sustentabilidade.
Maior instituição de educação profissional da Bahia, o Senai está presente na região metropolitana e no interior do estado, com 23 unidades educacionais, entre escolas técnicas e centros de formação profissional. Mais de 260 estudantes se inscreveram no processo seletivo, realizado ao longo do primeiro semestre deste ano.
A seleção envolveu alunos de primeiro ou segundo semestre. Antes da escolha dos bolsistas, docentes participaram de uma seleção interna para definir as linhas de pesquisa alinhadas aos eixos temáticos prioritários, de acordo com as diretrizes do Senai Bahia. Ao todo, foram inscritos 40 projetos pelos instrutores, dos quais foram definidas as 13 linhas de pesquisa priorizadas.
Conhecimento aplicado
A estudante Pérola Matos, do Senai Alagoinhas, a cerca de 120 km de Salvador, está entre os participantes do programa. Aos 19 anos, ela contou que o interesse pela iniciativa surgiu a partir da vontade de compreender melhor como a pesquisa científica funciona na prática.
“Sempre achei interessante a ideia de não simplesmente aceitar um problema como ele é, mas poder fazer perguntas, investigar, buscar informações, testar possibilidades e, a partir disso, chegar a uma conclusão ou até desenvolver uma solução. Como estudante, vejo a iniciação científica como uma oportunidade de desenvolver esse olhar mais investigativo e aprender a pesquisar de uma forma mais estruturada, indo além do que aprendemos em sala de aula”, detalhou.
Marília Gabriela Alves, docente orientadora do Senai Juazeiro, explicou que a iniciação científica amplia a formação dos alunos ao aproximar o conhecimento técnico da investigação de problemas reais.
“Além de ampliar a formação dos alunos, solidifica os conhecimentos técnicos ao promover a aplicação prática da teoria na investigação e na resolução de problemas reais. Essa experiência aproxima o estudante dos processos de pesquisa, experimentação e desenvolvimento de soluções, tornando o aprendizado mais significativo e conectado às demandas de sua área profissional”, afirmou.
Ainda segundo Marília, ao longo da pesquisa, o estudante assume o protagonismo de sua aprendizagem, desenvolvendo autonomia, pensamento crítico, capacidade de inovação, organização e trabalho em equipe.
“Esse processo fortalece a iniciativa, a responsabilidade e a capacidade de tomar decisões, contribuindo para uma formação profissional mais completa e para uma atuação mais preparada diante dos desafios do mercado de trabalho”, acrescentou.
O Programa de Iniciação Científica e Tecnológica é estruturado em cinco fases: fundamentação, investigação, desenvolvimento, execução interativa e apresentação dos resultados. Os alunos dedicam dez horas semanais à pesquisa e participam de encontros regulares com os docentes orientadores.
Alane Marques, coordenadora da área de Inovação e Performance do Senai Bahia, informou que a proposta é aproximar o conhecimento adquirido em sala de aula das necessidades do setor produtivo.
A preparação para transformar conhecimentos teóricos em soluções práticas ocorre à medida que os estudantes aprendem a aplicar o que absorveram em sala de aula diretamente no desenvolvimento de projetos reais voltados às demandas do setor produtivo. Os projetos devem resultar na entrega de um produto tecnológico tangível, um protótipo funcional.
“Essa abordagem foca no desenvolvimento técnico e em testes contínuos sob condições controladas, exigindo que os alunos bolsistas identifiquem problemas concretos e busquem soluções viáveis, eficientes e escaláveis. Ao priorizar a construção de protótipos funcionais e a viabilidade técnica e econômica em vez de focar apenas em avanços teóricos, o programa conecta a educação profissional diretamente à resolução pragmática dos desafios da indústria e da sociedade”, pontuou.
Para ingressar no programa, os candidatos passaram por uma prova objetiva em suas respectivas unidades, com questões de raciocínio lógico, matemática básica, interpretação textual e análise de dados. A participação nessa etapa avaliativa foi condicionada ao cumprimento dos critérios de elegibilidade previstos em edital.







