O Republicanos confirmou, na convenção nacional realizada nesta terça-feira (4), a rejeição de uma coligação com Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Segundo o presidente da sigla, deputado Marcos Pereira (SP), 17 diretórios estaduais preferiram a neutralidade, nove se posicionaram pela aliança nacional com o PL e somente um informou preferir caminhar com o presidente Lula.
A convenção contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O deputado é considerado um dos grandes fiadores da neutralidade do partido, pois pretende fazer campanha aliado a Lula na Paraíba, estado com forte tradição de vitória petista.
O evento também reuniu os senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), mas nenhum dos dois se manifestou pela aprovação da neutralidade. Mourão foi vice do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Damares, ministra no mesmo governo.
A convenção nacional ainda aprovou formalmente a decisão de o partido não lançar candidatura à Presidência e delegou o poder à executiva para tomar futuras decisões. Ou seja, a cúpula do partido poderá tomar uma nova decisão em caso de 2º turno.
O deputado Celso Russomanno (SP) afirmou que a decisão pela neutralidade ocorreu porque é importante manter a unidade do partido. O temor era que uma decisão de apoio a Flávio Bolsonaro dividisse a sigla e atrapalhasse a eleição de deputados federais no Nordeste.
A decisão amplia o isolamento de Flávio Bolsonaro, que apostava no Republicanos para ter a economista Daniella Marques, filiada ao partido, como sua vice. Agora, o PL deve recorrer a uma opção interna, formando uma chapa pura para a eleição presidencial.
O candidato também tentou atrair, sem sucesso, a federação União-PP para sua chapa. Flávio Bolsonaro chegou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para sua vice. O partido, porém, também decidiu rejeitar a coligação.
A última esperança para Flávio Bolsonaro é o Podemos de Renata Abreu. O partido deve anunciar uma decisão sobre coligação com o PL até esta quarta-feira (5). Como mostrou a Folha, porém, a expectativa é que a legenda também adote a neutralidade nacional.