Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Alianças frágeis ampliam pressão sobre campanha de Flávio Bolsonaro

A corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos nesta semana com movimentos simultâneos de partidos que buscam reposicionar suas estratégias antes do início das convenções. Em entrevista ao Correio, o presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves, negou que a legenda tenha decidido permanecer neutra na disputa pelo Palácio do Planalto e afirmou que qualquer definição sobre apoio ou posicionamento eleitoral ainda será debatida pela Executiva Nacional.

“Não existe essa decisão de neutralidade. Eu vi isso em algumas matérias, mas isso é de responsabilidade de quem escreveu”, afirmou. Segundo ele, a única decisão tomada até o momento foi retirar da pauta a possibilidade de uma candidatura presidencial própria, para concentrar esforços na reconstrução da bancada tucana no Congresso Nacional.

Aécio afirmou que o partido atravessa um processo de reorganização e que a prioridade será fortalecer sua presença na Câmara e no Senado antes de voltar a disputar a Presidência da República. O dirigente também antecipou que, em agosto, a sigla apresentará o projeto “Brasil Real”, plataforma que pretende servir de base para a construção de uma alternativa de centro visando as eleições de 2030.

Apesar disso, ele reforçou que a posição do PSDB para o pleito de 2026 permanece em aberto. “Em relação a estas eleições, nós ainda vamos discutir qual será a posição do PSDB”, declarou. Nos bastidores, integrantes da legenda avaliam que a decisão dependerá da consolidação das candidaturas de centro e da capacidade de construção de uma frente competitiva contra os polos já estabelecidos.

Enquanto os tucanos evitam antecipar um alinhamento nacional, a federação formada por PP e União Brasil caminha em direção oposta ao projeto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lideranças das duas legendas passaram a defender internamente uma postura de neutralidade na eleição presidencial após sucessivos desgastes na relação com Flávio.

No PP, interlocutores afirmam que o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), ficou insatisfeito com a falta de apoio de Flávio durante as investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Já no União Brasil, o desconforto aumentou após a prisão do aliado Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), apontado como pré-candidato ao Senado em uma eventual chapa liderada pelo senador — no episódio, avaliam dirigentes, Flávio também adotou uma postura de silêncio.

A eventual neutralidade da federação representa um revés para a estratégia do PL de ampliar sua coalizão. Diante desse cenário, o partido intensificou as negociações com o Republicanos para consolidar uma aliança nacional antes das convenções partidárias.

Em Brasília, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), reuniram-se com dirigentes do Republicanos para discutir acordos que envolvem disputas estaduais e apoio mútuo.

Impasses

O Republicanos busca respaldo do PL em estados como Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Minas Gerais, enquanto o partido de Flávio espera receber o apoio formal da legenda à corrida presidencial. As conversas, no entanto, ainda esbarram em impasses regionais, que deverão ser solucionados nas próximas semanas.

Paralelamente às negociações partidárias, o PL reorganiza a estratégia de comunicação da pré-campanha de Flávio. Após o distanciamento político da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a direção do partido decidiu ampliar o protagonismo da dentista Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, especialmente em agendas voltadas ao eleitorado feminino. A expectativa é de que ela assuma papel mais ativo em eventos públicos, na comunicação digital e na formulação de propostas ligadas à saúde da mulher, políticas familiares e assistência social.

Nos bastidores da direita, a iniciativa divide opiniões. Uma ala considera que Fernanda reúne legitimidade para ocupar esse espaço e defende que ela comece desde já a construir uma imagem nacional. “Está certo. Ela vai ser a nova primeira-dama e precisa começar a ser conhecida pelos brasileiros”, afirmou um aliado do senador, sob reserva. Outra corrente, porém, avalia que Michelle ainda mantém forte influência entre o eleitorado conservador e religioso e que qualquer tentativa de substituição pode provocar comparações desfavoráveis.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que as definições mais relevantes deverão ocorrer apenas após o período das convenções, quando o desenho das coligações estaduais indicará, de forma mais clara, o tamanho das alianças que disputarão o Planalto em 2026.

Fonte: Correio Braziliense.

Compartilhe essa matéria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cookies: guardamos estatísticas de visitas para melhorar sua experiência de navegação. Saiba mais em nossa política de privacidade clicando aqui.