Enquanto artistas que mantêm viva a tradição do forró nordestino são questionados e têm seus cachês colocados sob suspeita, pouco se discute sobre a necessidade de uma fiscalização rigorosa dos milhões de reais provenientes de emendas parlamentares destinados aos festejos juninos.
O verdadeiro debate deveria estar na transparência da aplicação desses recursos públicos, especialmente quando passam pelas mãos de empresários, produtoras e intermediários envolvidos nas contratações artísticas. A sociedade tem o direito de saber como cada centavo está sendo utilizado e quais critérios estão sendo adotados na destinação dessas verbas.
É inaceitável que os verdadeiros forrozeiros, responsáveis por preservar a cultura, a identidade e as raízes do Nordeste, sejam transformados em alvo de críticas, enquanto questões muito mais relevantes sobre a gestão dos recursos públicos recebem pouca atenção.
O São João é patrimônio cultural do povo nordestino. Defender os artistas que construíram essa história não é apenas valorizar a música, mas proteger uma tradição que atravessa gerações. O que precisa de fiscalização não é o forró autêntico, mas todo o caminho percorrido pelo dinheiro público até chegar aos palcos das festas juninas.
Sem os verdadeiros forrozeiros, o São João perde sua alma. Sem transparência, perde sua credibilidade. E sem fiscalização, quem paga a conta é o povo.