A dois meses do início da Copa do Mundo de 2026, os custos para acompanhar o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá seguem aumentando e cada vez mais inflacionados, principalmente em comparação à edição anterior, no Qatar.
Os ingressos atingiram preços estratosféricos, e mesmo gastos com transporte e hospedagem têm gerado críticas à Fifa sobre uma suposta elitização do evento.
Transporte e logística viram problema com altos preços
A logística de transporte até os estádios tem se tornado um dos pontos mais críticos às vésperas da Copa. O cenário é ainda mais preocupante nos Estados Unidos, onde existe uma dependência por carros e muitas vezes o transporte público não chega nos estádios.
Em Boston, por exemplo, o transporte especial de ônibus até o Gillette Stadium foi fixado em US$ 95 por pessoa (R$ 474 na cotação atual). O estádio fica em Foxborough, a cerca de 45 km do centro. Além disso, o serviço estará disponível para atender uma demanda máxima de 10 mil pessoas por jogo e sem desconto algum para crianças ou adultos acima dos 60 anos. O estádio tem capacidade para 64 mil pessoas, o que força 54 mil torcedores a adotarem outra opção de logística para os jogos.
Para as passagens de trem, o preço foi quadruplicado. O valor de US$ 20 cobrado em jogos da NFL vai saltar para US$ 80 na Copa.
Em Nova Iorque, o bilhete de trem da estação da Pensilvânia até o MetLife Stadium também deve sofrer um aumento considerável. O trajeto que custa US$ 12,90 tem a projeção de subir para US$ 100 durante a Copa.
Os torcedores que optarem pelo transporte de carro terão um custo ainda maior. Para estacionar o carro no Gillette Stadium, em Boston, será necessário desembolsar a bagatela de R$ 874 somente na fase de grupos. Para jogos eliminatórios, o valor é ainda maior: R$ 1.348 nas quartas. E o valor é o mesmo para as vagas de acessibilidade.
A comparação com o Qatar evidencia a diferença: em 2022, torcedores tinham acesso a metrô moderno e integrado, com custo reduzido ou até incluído no ingresso em alguns casos.
Hotéis têm aumentos superiores a 300%
A hospedagem é mais um dos pontos impactados. Após o sorteio que definiu grupos e sedes, em dezembro, os preços de hotéis nas cidades anfitriãs subiram mais de 300%.
Em algumas cidades, diárias que antes giravam em torno de US$ 150 passaram a ultrapassar US$ 500 em períodos de jogos.
A tendência é que os preços continuem subindo à medida que o torneio se aproxima, especialmente em destinos com grande concentração de partidas, como Miami e Nova Iorque.
Ingressos mais caros e tendência de elitização
Os valores oficiais divulgados para a Copa de 2026 mostram aumentos relevantes em praticamente todas as fases do torneio. No Qatar, muitos ingressos da fase de grupos partiram de R$ 344 na categoria geral, mas agora o piso de tickets disponíveis no site da Fifa partem de R$ 2 mil, dependendo da cidade e da demanda do jogo.
Olhando apenas para a final, a diferença é ainda mais acentuada. O ingresso mais caro no Qatar foi comercializado na época por cerca de R$ 8 mil, enquanto o piso para a edição de 2026 já partiu de R$ 31 mil e atualmente já bate os R$ 56,8 mil. No site de revenda, é possível encontrar ingressos por R$ 950 mil.
A diferença de valores é resultado também de uma estratégia de precificação da Fifa, que adotou como modelo o “preço dinâmico” para os ingressos. Além disso, apostou no maior poder aquisitivo dos norte-americanos.