A cidade de Itapé foi o cenário de um duplo evento político e institucional na última sexta-feira (27). À tarde, na Câmara Municipal, o advogado Carlos Sodré foi condecorado com a Comenda Joaquim Santos Lisbôa, honraria máxima do Legislativo local dedicada ao fundador do município. Durante a sessão solene, conduzida pela vereadora Ive Clélia Alves Pinto de Almeida, Sodré emocionou-se ao relembrar sua trajetória familiar e as lutas pelo desenvolvimento regional desde sua atuação no Governo Roberto Santos.
À noite, o Clube da Melhor Idade recebeu o ato político de filiação de Sodré ao Mobiliza (PMN) e o lançamento oficial de sua pré-candidatura a uma das duas cadeiras em disputa no Senado Federal em 2026. O evento contou com o apoio de lideranças como o ex-deputado federal Geraldo Simões e o ex-deputado estadual Renato Costa, que reforçaram a tese de que o Sul da Bahia carece de uma voz forte na Câmara Alta para equilibrar a balança de investimentos estaduais e federais.
Obras estruturantes
O ponto central dos discursos foi a disparidade entre a contribuição tributária do “Grande Sulbaiano” e o retorno em obras estruturantes.
“A falta de uma representação política no Senado tem efeitos danosos na vida da gente. Por exemplo, vimos um grande esforço de nossos três senadores baianos para levar a fábrica da BYD para Camaçari. Vimos também esse esforço para levar uma grande fábrica para Feira de Santana. Mas, para o Sul da Bahia, não vemos essa força de vontade”, criticou Geraldo Simões, sublinhando que a região já chegou a gerar 73% da receita de tributos da Bahia.
Discurso ético: ‘Não estou nas relações do Banco Master’
Em seu pronunciamento, Carlos Sodré inflamou a plateia ao adotar um tom de forte combate à corrupção e defesa da “ficha limpa”. O advogado buscou se diferenciar das lideranças tradicionais ao mencionar o atual cenário de investigações financeiras no país.
“Não estou nas relações do Banco Master!”, declarou Sodré, em alusão ao escândalo que tem atingido nomes do alto escalão da política nacional e baiana. Ele defendeu que sua candidatura por um partido sem histórico de corrupção representa uma ruptura necessária com as práticas vigentes.
O pré-candidato também apresentou uma proposta de mandato atípica, comprometendo-se a não buscar a reeleição caso seja eleito.
“Não serei candidato à reeleição, o que me dará total liberdade para fazer um mandato sem amarras, sem rabo preso, e totalmente voltado para o interesse popular”, afirmou.
Sodré revelou que já percorreu a Bahia e dialogou com lideranças de mais de 380 municípios dos 417 existentes no estado, consolidando uma base que pretende levar a Brasília as demandas por desenvolvimento social e econômico.
A estratégia de Carlos Sodré de focar no desenvolvimento da Educação e na independência parlamentar visa atrair o eleitorado desiludido com as sucessivas crises políticas.
“Me preparei ao longo de minha vida toda para este momento, e tenho certeza que, sendo candidato e me elegendo, a região Sul da Bahia poderá contar com uma voz que fará ressoar em Brasília às vozes de nosso povo”, concluiu o advogado.
Com a meta de visitar os 417 municípios baianos até o início oficial da campanha, Sodré tenta nacionalizar as demandas de Itapé e região, prometendo um embate direto contra os nomes já estabelecidos na política estadual.