O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso (PSB), anunciou a criação de um pacto inédito entre prefeituras da Bahia e do Nordeste para estabelecer limites de gastos, tetos de cachês e regras unificadas na contratação de artistas e estruturas para os festejos de São João. A iniciativa busca conter distorções no mercado de shows, combater a cartelização e garantir responsabilidade fiscal nos municípios.
Em entrevista,, Wilson explicou que uma comissão de prefeitos já foi formada para estruturar o modelo. “Tiramos uma comissão para quarta-feira, com prefeitos de Serrinha, Santo Antônio de Jesus, Jequié, Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Conceição da Feira. Vamos alinhar as regras e quinta-feira estaremos reunidos com o presidente do TCM, Francisco Neto, o presidente do TCE, o Ministério Público, com o procurador-geral Pedro Maia e a promotora Larissa Tourinho. Esse movimento a sociedade já abraçou, os artistas também vão abraçar, e nós vamos fazer talvez um São João ainda melhor do que o do ano passado, mas com responsabilidade e preço justo.”
O presidente da UPB afirmou que a proposta prevê limites objetivos para os gastos públicos. “Está se criando um percentual para não ultrapassar mais de 10% do que se gastou no ano passado e também serão criados três tetos, que ainda serão discutidos na reunião da comissão. A ideia é ajustar e não permitir distorções. Se um artista teve um cachê exorbitante no ano passado, ele vai ter que se adequar. A gente não vai repetir gastos desproporcionais.”
Segundo Wilson, o pacto já ultrapassa o território baiano e se consolida como um movimento regional. “Esse movimento já se tornou do Nordeste. Os nove estados estão nesse processo. Presidentes de associações estaduais já confirmaram participação. A ideia é evitar que saia daqui e vá inflacionar Pernambuco, Alagoas ou outros estados. É uma ação integrada do Nordeste.”
O dirigente foi direto ao apontar o principal problema enfrentado hoje pelos municípios. “O objetivo maior é evitar cartel. É ter dois ou três escritórios no Brasil controlando artistas e impondo valores. Isso torna o sistema insustentável. Daqui a pouco, nenhum município vai conseguir fazer São João.”
Wilson também explicou que o modelo respeitará a realidade econômica de cada cidade. “Você não pode gastar mais do que 10% em relação ao ano passado. A estrutura vai variar de acordo com o tamanho da festa. Município pequeno vai ter estrutura menor. Município que recebe artista maior, com maior público, vai ter estrutura compatível. Tudo vai ser proporcional, responsável e equilibrado.”
De acordo com ele, há adesão total dos gestores municipais. “Até agora tem 100% de adesão. Os prefeitos que fazem grandes festas estão engajados em continuar fazendo, mas com preço justo, sem comprometer educação, saúde, infraestrutura e as finanças do município.”
O presidente da UPB também destacou o impacto econômico e social do São João, defendendo equilíbrio entre cultura e responsabilidade fiscal. “O São João é a festa mais democrática que existe. Movimenta comércio, lojas, barraqueiros, feira, turismo, famílias voltam para suas cidades. Mas não pode ser desproporcional. Não faz sentido gastar 10 milhões e arrecadar só 2 milhões. Tem que ter equilíbrio.”
A proposta será formalmente apresentada aos órgãos de controle nesta semana. “Quinta-feira vamos apresentar tudo ao TCM, TCE e Ministério Público, como já fizemos no ano passado. A ideia é ter segurança jurídica, regras claras e responsabilidade institucional.”
Segundo Wilson, o movimento consolida a Bahia como referência nacional em articulação municipal. “Nós temos hoje na Bahia a maior safra de prefeitos da história. Existe união, responsabilidade e capacidade de articulação. Agora, com essa união com o Nordeste, vamos avançar ainda mais.”